segunda-feira, 5 de maio de 2014

A FARSA DE INÊS PEREIRA - GIL VICENTE

A Farsa de Inês Pereira é considerada a mais complexa peça de Gil Vicente. Ao apresentá-la, o teatrólogo português diz: "A seguinte farsa de folgar foi representada ao muito alto e mui poderoso rei D. João, o terceiro do nome em Portugal, no seu Convento de Tomar, na era do Senhor 1523. O seu argumento é que, porquanto duvidavam certos homens de bom saber, se o Autor fazia de si mesmo estas obras, ou se as furtava de outros autores, lhe deram este tema sobre que fizesse: é um exemplo comum que dizem: Mais vale asno que me leve que cavalo que me derrube. E sobre este motivo se fez esta farsa". A obra pode ser dividida em cinco partes: a primeira é um retrato da rotina na qual se insere a protagonista; a segunda reflete a situação da mulher na sociedade da época, cujos registros são dados pela mãe de Inês, pela própria Inês e por Lianor Vaz; a terceira mostra o comércio casamenteiro, representado pelos judeus comerciantes e pelo arranjo matrimonial-mercantil de Inês com Brás da Mata; a quarta considera o casamento, o despertar para a realidade, contrapondo-a ao sonho que embalava as fantasias da protagonista e, finalmente, a quinta parte reflete a realidade brutal da qual Inês, experiente e vivida, procura tirar proveito próprio. A peça apresenta uma situação concreta, com uma personagem bem delineada psicologicamente e um fio condutor melhor configurado que as produções anteriores de Gil Vicente. O enredo é simples: uma jovem sonhadora procura, por meio do casamento com um homem que saiba tanger viola, fugir à rotina doméstica. Despreza a proposta de Pero Marques, filho de um camponês rico, homem tolo e ingênuo, e aceita se casar com Brás da Mata, escudeiro pelintra e pobretão. No entanto, os sonhos da heroína são logo desfeitos, porque o marido revela sua verdadeira personalidade, maltratando-a e explorando-a. Brás da Mata vai para a África e lá vem a falecer. Inês, ensinada pela dura experiência, toma consciência da realidade e aceita se casar com Pero Marques, seu primeiro pretendente. Depressa também a jovem aceita a corte de um falso ermitão. A farsa termina com o marido (cantado por ela como cuco, gamo e cervo, tradicionalmente concebidos como símbolos do homem traído) levando-a às costas (asno que me carregue) até a gruta em que vive o ermitão, para um encontro nada ingênuo.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

TEXTO PARA ANÁLISE p.510

1- “a verdade nua manda dizer que entre as raças de variado matiz, formadoras da nacionalidade e metida entre o estrangeiro recente e o aborígine de tabuinha no beiço, uma existe a vegetar de cócoras, incapaz de evolução, impenetrável ao progresso. Feia e sorna, nada a põe de pé”. O narrador não acredita que a mistura de raças que formou a nossa nacionalidade tenha gerado uma raça forte e heroica. Para ele, o caboclo representa uma raça fraca, constituída por preguiçosos, que existem “a vegetar de cócoras”, simbolizando o que há de mais atrasado no Brasil. 2-a) Nos romances, segundo o narrador, o Jeca é apresentado como um mercador, um lavrador e um filósofo. b) Uma figura preguiçosa, que vive e vegeta de cócoras, sem que nada desperte o seu interesse e o leve a agir. Valendo-se da lei do mínimo esforço,o Jeca alimenta-se apenas do que a natureza lhe oferece e é alheio a tudo que se passa à sua volta. 3- PESSOAL: a imagem do caboclo como um “parasita” (urupê) que extrai da terra o que ela tem a oferecer até esgotá-la pode ser derivada de uma visão preconceituosa, mas reflete, de alguma forma, a denúncia de um Brasil do atraso até então desconhecido. 4- Ao combater a imagem idealizada que se criou do caboclo, à semelhança daquela que caracterizou o indígena romântico, a crítica feita no texto revela o desejo de mostrar a realidade brasileira na figura que a representa: o caboclo que habita as paisagens interioranas no ciclo do café.

TEXTO PARA ANÁLISE - p.507

1- Quando é preso e condenado, Policarpo Quaresma percebe que se iludiu em relação ao seu país e seu povo. Na reflexão amargurada de sua trajetória,passa a ter consciência real do Brasil, de seus problemas e do mito a que se apegou em seu amor pela nação. Segundo Policarpo, o seu patriotismo o levara a estudar “inutilidades” sobre a pátria (conhecia os rios, sabia os nomes dos heróis do país, aprendeu o tupi-guarani, valorizou o folclore nacional), a fazer incursões na agricultura e a lutar pela nação. 2- Policarpo idealizava a doçura do povo brasileiro. Ao participar da Revolta da Armada, percebeu que se tratava de uma ilusão que nutria a respeito da pátria e seus habitantes: no conflito, viu-os “combater como feras” e matarem “prisioneiros, inúmeros”. 3- Policarpo imagina que, se outros seguissem seus passos, poderiam ser mais felizes e desfrutar de uma pátria como a que ele sonhou. A esperança se desfaz porque o conhecimento que adquirira ao longo de sua vida não seria transmitido a ninguém, já que não tivera seguidores e não havia divulgado o que aprendera. Essa constatação é motivo para intensificar sua angústia. Policarpo reflete, de forma amargurada, que, se seu ideal e conhecimento permanecessem, provavelmente não serviriam para nada, já que outros tinham morrido e se sacrificado pela pátria e, mesmo assim, a terra permanecia “na mesma miséria, na mesma opressão, na mesma tristeza” 4- A transformação por que passa Policarpo, que vai do ufanismo à consciência crítica, simboliza a mudança que se opera na literatura brasileira: a visão de pátria idealizada, herdada do Romantismo, para a reflexão da realidade de forma crítica

TEXTO PARA ANÁLISE - p.504

1- “Os combatentes contemplavam-nos entristecidos. Surpreendiam-se; comoviam-se." " Custava-lhes admitir que toda aquela gente inútil e frágil...bombardeados entre outros... Comoção e tristeza dos soldados diante dos prisioneiros. sentem vergonha diante da vitória que conquistaram. Não. Todo trecho é marcado pela subjetividade.O relato descreve de um ponto de vista pessoal o impacto que a rendição daquelas pessoas causa nos soldados. Assim, o relato se distancia da objetividade que caracterizaria o simples retrato da situação apresentada , para se transformar na tradução “humana” da tragédia em que a luta tinha se convertido. 2- Eles são apresentados como uma “legião desarmada, mutilada, faminta e claudicante”. São mulheres, crianças e velhos debilitados pelo conflito e marcados pela magreza, pela miséria, pela dor. Os vencidos parecem uma procissão de infelizes que trazem no rosto e no corpo as marcas da violência indescritível do conflito: um “longo enxurro de carcaças e molambos". a) O relato denuncia a realidade que determina o conflito de Canudos e torna o massacre dos rebeldes ainda mais terrível. A caracterização daqueles que viviam em Canudos dá a exata dimensão do desconhecido sertão: uma sociedade miserável e arcaica, ignorada pelas regiões mais desenvolvidas e urbanas, com uma população analfabeta e desnutrida, que poderia ser facilmente conduzida por líderes religiosos como Antônio Conselheiro.Esse era um Brasil de mazelas que precisava ser conhecido pelas elites brasileiras e integrado à nacionalidade. b) É a descrição da criança, carregada por uma velha, cujo rosto teve a face esquerda arrancada pelo estilhaço de uma granada.Segundo o texto, aquela era “a criação mais monstruosa da campanha”. 3- a) A estrutura paralelística, marcada pela apresentação dos termos “mulheres”, “crianças” e “velhos”, retomados depois da repetição o dos termos “sem-número”, intensifica a sensação de que aquela guerra era um combate desumano e vergonhoso contra pessoas que não tinham como se defender.O texto acaba por enfatizar, pela força da repetição, a monstruosidade daquele conflito cujos prisioneiros formavam uma procissão de “infelizes” que chocavam pelo estado de miséria e desamparo. b) O texto destaca, nas mulheres, a velhice: moças e velhas se igualam na procissão de infelizes que caminham. Em todas elas, a marca do sofrimento e da miséria se traduz na aparência envelhecida e na “fealdade”. Outro elemento as caracteriza: os filhos, que são muitos e são apresentados quase como parte integrante dessas mulheres (estão “escanchados nos quadris”, encarapitados às costas”, “suspensos aos peitos murchos” ou são “arrastados pelos braços”). 4- A divisão revela uma concepção determinista, característica do século XIX (usada principalmente pela literatura Naturalista), que defende que o homem é fruto do meio, da raça e das condições históricas.Na primeira parte, “A Terra”, analisa-se o meio. Na segunda, descreve-se a raça. A partir da combinação desses fatores, tenta-se uma explicação para o conflito de Canudos. O tema regionalista já havia sido abordado pelos românticos de forma descritiva, idealizada e sentimental. Os sertões, pela primeira vez, trata uma região, o Nordeste, de maneira crítica, apontando seus problemas característicos: a seca, a miséria, as condições difíceis de sobrevivência , o atraso social e o abandono a que os sertanejos estavam relegados pelas elites dos centros urbanos do Brasil.

TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA : UMA ANÁLISE LITERÁRIA E UMA ANÁLISE CRÍTICA

http://www.passeiweb.com/estudos/livros/triste_fim_de_policarpo_quaresma http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/triste-fim-de-policarpo-quaresma-analise-da-obra-de-lima-barreto.htm

A NOVA CALIFÓRNIA, DE LIMA BARRETO

PARA QUEM QUISER LER O CONTO NA ÍNTEGRA E DESCOBRIR SE OS OSSOS VIRARAM OURO.. http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=16813

TEXTO PARA ANÁLISE - p.500

1- Cidade pacata, com poucos habitantes, na qual não se registrava roubo ou furto havia cinco anos. Uma cidade de cotidiano tão tranquilo, só poderia reagir com indignação e espanto diante da profanação dos túmulos do cemitério. 2- A possibilidade de que seu túmulo também fosse profanado depois de sua morte.O preconceito é revelado pelo desprezo que a moça tinha pelo lugarejo simples e pela referência repleta de desdém à origem humilde daqueles que tiveram seus túmulos profanados, além da indiferença demonstrada pelo destino de seus ossos.Para a jovem aquelas pessoas não significavam nada. Que tinha ela com o túmulo de antigos escravos e humildes roceiros? Em que podia interessar... nas calçadas do Rio. 3- A indignação das pessoas é imediatamente substituída pela ambição e pela esperança de enriquecer transformando os "míseros despojos fúnebres" em "alguns contos de réis".O horror inicial é rapidamente esquecido e os habitantes passam a visualizar a felicidade que poderiam alcançar e os problemas que poderiam resolver com essa descoberta.